quarta-feira, 24 de março de 2010

Seria um Oscar merecido?


Por Juliana Monteiro

Por que Sandra Bullock ganhou um Oscar pelo filme The Blind Side (John Lee Hancock)? Essa foi a pergunta que me veio em mente quando pensei em ver o filme. O trailer já tinha me feito pensar bem desse longa do diretor John Lee Hancock, primeiro filme que vejo dele, principalmente porque ele não tem muitas participações como diretor, normalmente. No The Blind Side (ou Um Sonho Possível como foi traduzido para cá), além de diretor, ele também faz o papel de roteirista.

Eu diria que é por esse segundo que daria meus parabéns a ele. Em si, o filme não tem muita coisa a oferecer. É bom um bom filme, confesso, com um assunto que realmente nos emociona, além de ser um fato real. Mas o que realmente salva o filme são os bons diálogos. Também penso que é principalmente por isso que Sandra Bullock ganhou seu primeiro Oscar, ela foi premiada com um papel de suma importância, tocante e principalmente bem escrito.

Além disso, foi talvez a primeira vez que vi Bullock em um filme que não chega nem perto de comédia romântica. É aquela coisa de ter a sorte de pegar um personagem maduro e saber aproveitar isso. Ou então a mudança drástica de visual, uma perua loira republicana católica. O primeiro comentário que escutei no filme foi “ela tá estranha loira”. Realmente, ela está estranha loira, mas isso não vem ao caso.

O que é importante é que o filme se mostrou realmente o que eu esperava ele. Aquele tipo de filme que você às vezes fica com o coração na mão, outras vezes dá uma risada e sempre se emociona com o personagem principal, soltando alguns “tadinho” e outros “que fofo”.

O longa conta a história do jogador de futebol americano Michael Oher (Quinton Aeron), ou “Big Mike” como ele normalmente é chamado, mas deixa claro desde o princípio que nunca gostou do apelido. Abandonado pelo pai, tirado dos cuidados da mãe – devido ao seu uso indevido de drogas – e sem lugar para ficar. É assim que o jovem Big Mike, de 18 anos, começa sua história. Graças a ajuda de um amigo, Big Mike consegue uma bolsa de estudos em uma escola particular por causa de seu único talento: Os esportes. Ou seu tamanho fora do normal.

Big Mike tem um QI de 80 pontos, bem baixo para a idade dele, o que lhe dá grandes dificuldades para aprender. Morando na quadra coberta da escola e só com uma muda de roupa, ele encontra sua futura tutora, Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) que lhe oferece sua casa, sua família e sua ajuda para que ele possa melhorar, não só nos estudos, mas como também na vida.

A partir dai o sentimento familiar fica cada vez mais forte entre Big Mike e Leigh Anne que é obrigada a passar por todos os tipos de provas e reprovações por ter adotado um garoto negro para sua feliz casa republicana.

A história é tocante. Afinal, quem não fica um pouco emocionado com uma história que envolve preconceito, mudança, superação e realidade? Esse é mais uma série dos filmes que fazem muita gente repensar algumas coisas da vida, mas só algumas.


terça-feira, 23 de março de 2010

B.B King - O verdadeiro Rei


Já se passaram 85 anos e ele ainda tá inteiro e acrescento um "graças a deus" nessa frase. Ano passado tivemos Chuck Berry e Jerry Lee Lewis, esse ano tivemos B.B King mais uma vez em terras tupiniquins.

No dia 19 de Março (sexta-feira passada) um B.B. king animado se apresentou no Via Funchal. Quem disse que ele está velho? Ele mesmo disse em alto bom som que sua turnê não é uma turnê de despedida e eu acredito nele. B.B King tá ainda inteirão, a idade veio, a barriga considerável já foi embora e trouxe alguns ossinhos a mais, mas isso não é problema, o blues ainda sustenta sua alma e a música ainda corre em suas veias.

Riley Ben King, esse é o nome do mestre do blues, nasceu em Mississippi numa plantação de algodão e como acontece com os grandes mestres, a vida não foi fácil. B.B King já vivia sozinho desde os 9 e com essa alma de quem já sofreu bastante, saiu pelo mundo querendo virar músico. Alguém duvida que ele tenha conseguido?

Hoje ele é considerado o rei do blues e já teve grandes parcerias, como com outro grande nome do blues, Senhor Eric clapton e fizeram juntos um CD sensacional chamado Riding With de King, lançado em 2000. O cd conta com uma lista genial e bem movimentada, com os melhores lances do blues, como a famosa "Come Rain or Come Shine", "Riding with the king" e a movimentada - uma das minhas prediletas - "I Wanna Marry You". Se um guitarrista genial já é bom, imagina então dois?

O CD ainda conta com a música que levou B.B King ao sucesso, Three O'Clock Blues, é daquelas músicas longas que te fazem viajar por algum tempo e quando acaba, você ainda tá em outro mundo.

Foi mais uma vez um prazer ter o bluesman e sua guitarra Lucille. Ele continua com o mesmo humor de uma criança, o ritmo de um velho blues e seu charme de jovem.

Terra Música
Vírcula UOL
Foto: Album de fotos Abril


segunda-feira, 22 de março de 2010

Livro - O vendedor de armas

Por Juliana Monteiro

Compararam Thomas Lang com um 007 moderno. Discordo. Thomas Lang é infinitamente mais engraçado, irônico e inteligente que aquele velho chamado James Bond. Talvez meu cérebro esteja um pouco viciado com a imagem do Dr. Gregory House, mas era sempre nele que pensava quando eu lia O Vendedor de Armas. Talvez a ironia e a inteligência estejam no sangue de Hugh Laurie e deve ser por isso que as livrarias se tornaram um caos quando Laurie deu uma folga ao médico e apresentou ao público seu lado ex-militar. A primeira edição do O Vendedor de Armas esgotou em poucos dias, até parecia que a J. K. Rowling tinha lançado mais um livro, mas não, era somente Laurie mostrando que manda bem em muita coisa mesmo.

Com 288 páginas muito bem escritas, O vendedor de Armas conta a história de um britânico ex-militar fanfarrão que recebe uma proposta milionária para assassinar um empresário americano. Mas Lang é daquele tipo de cara que pode estar na merda, mas não vai fazer algo que ele acha errado, então não aceita a proposta e até vai atrás do empresário para alertá-lo. E é a partir dai que a vida dele se torna um caos completo.

Primeiro ele cria uma paixonite aguda pela filha do empresário, Sarah, uma mulher bonita, inteligente e perigosa. Depois é acusado de tentativa de homicídio, mesmo sem ter aceitado o trabalho, e ai começa uma série de complôs onde ele sempre é o último a saber, mas o primeiro a se safar. Com planos mirabolantes, Lang começa a se enfiar no mundo dos vendedores de armas, muitas vezes se ferrando, para ser sincera com você, ele só se ferra! Mas tudo bem, Lang é tipo imortal e é bem engraçado vê-lo se ferrar e depois se safar e dai se ferrar de novo.

Eu não esperava tanto de um livro como esse, quando li a primeira página pensei "é muito confuso, vou me perder", e não vou mentir para você, o livro realmente é confuso em alguns momentos, são muitos nomes, muitas pessoas e muitos complôs complicados, além disso, todo livro que é escrito em primeira pessoa pode sofrer do problema da confusão. Os pensamentos de Lang sempre variam e vão da água para o vinho, de um assunto x para um assunto y e você fica um pouco fora dos eixos por um momento. Mas é fácil resgatar esse eixo, além disso os comentários irônicos de Thomas dão a graça maior ao livro.

O livro, por incrível que pareça, não está num preço absurdo. Está numa base de 38 reais, às vezes para mais, às vezes para menos. E o que eu estou torcendo agora é para daqui uns anos eu esteja falando a adaptação para filme, já informo que isso é quase certo, não só na minha vaga opinião de como esse livro se tornaria um ótimo filme, mas como também nos pequenos boatos que informam que Hugh Laurie já pensou nessa possibilidade.

domingo, 21 de março de 2010

Aceite o Mistério

Por Guilherme Nasser

O novo filme dos Coen é cínico.

Carregado de um humor afiado e poéticamente trágico, “Um homem sério” chega com classe: Indicado a dois oscar (Melhor filme e Melhor roteiro original).

A comédia gira em torno de um paralelo entre conceitos morais de algo exterior – no caso o judaísmo - e a vida sem doutrinas e maiores consequências.

A frase que me veio a cabeça logo após o final do filme foi a de Rosseau: “ O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”

Garry Lapnik, é um professor íntegro, pai de família que começa ver sua vida desmoronar em problemas. Sua mulher abertamente lhe comunica sobre o envolvimento dela com um amigo da família e o expulsa de casa. Garry deixa a casa e tem que levar junto para um motelzinho barato seu irmão problemático.

Seus filhos são adolescentes normais, eu diria. Ele é viciado em maconha e ela um garota fútil que só pensa em lavar o cabelo.

Garry então se depara com o maior problema do filme, o suborno de um aluno coreano reprovado em Física. A clássica ironia dos diretores. E é aí, que ele precisa rever seus conceitos e começar a quebrar todo o moralismo judaico envolto em sua integridade até aqui.
O roteiro é muito bom e é grande candidato ao Oscar, mas acredito que não ganhe, e que ele fique nas mãos do Tarantino.

No desempenho técnico do filme, normal, bem feito, mas nada demais, sem marca autoral de direção, estético ou fotográfico. Os irmãos Coen são ótimos roteiristas e bom diretores.
Diferente da última comedia “Queime depois de ler”, “ Um homem sério” é calmo, inteligente, ácido, o que se aproxima mais a “Matadores de Velhinhas”.

Observamos que Garry, agora numa visao mais sociológica, mas sem pretensões, por favor, é um homem doutrinado , que tem o superego afiado, que se pune em pensamento e que precisa ser “ruim” na concepção do personagem para dar um jeito em seus problemas.

Talvez o grande segredo do filme e da vida de Lapnik, é a frase dita pelo Rabino Junior – ironia presente novamente no roteiro – quando aconselha Garry dizendo que precisa enxergar a vida de uma nova perspectiva.
Um ótimo filme.

Quanto a cena inicial, não pense que está no filme errado, apenas aceite o mistério.

LIVRO - De Cuba Com Carinho


Por Juliana Monteiro

Não é exatamente um livro político como muitos estão pensando. Diria que é mais um livro humano. "De Cuba, com carinho" segue os posts do Blog da cubana Yoani Sánchez, que fez parte do que se chama "geração Y", uma época onde todos os nomes tinham que começar com Y em Cuba.

Sobre seu blog, vocês podem dar uma olhada no Generación Y seguindo por aqui: http://www.desdecuba.com/generaciony/, é um blog bem legal, onde Yoani fala de seu dia a dia em Cuba, das coisas que passou e de como realmente é por lá, além do que lemos em jornais ou que vemos em outras mídias.

O mais interessante sobre isso é que o livro que segue os posts do blog é bem recente, então é interessante você passar pelas páginas daquele livro fino de somente 204 páginas e ler sobre coisas que há poucos meses tinha lido nos jornais. Descobre também fatos que você nunca pensava que fosse verdade, como a influência Brasileira, ou melhor, a influência das telenovelas em Cuba. Algo que eu, particularmente, nunca ia adivinhar.

O livro não tem exatamente uma ordem, como qual postagem você deve ler, seguindo por ordem de data, na realidade é escolhido, digamos, por plena vontade de quem quiser ler. Pelo menos é assim que eu encarei quando o li.

Yoani relata o seu cotidiano de maneira muitas vezes irônica, dando pontos de vista e mostrando a dificuldade de manter um blog como o seu, como ela teve que se passar por estrangeira para conseguir acessar a internet. como o preço para isso é sempre caro, entrar sem ninguém saber num hotel só para "gringos", pagar pela internet e ser rápida o suficiente para postar o que precisa, sendo que muitas vezes os portais que ela precisa acessar para isso são barrados pelo governo.

Também fala dos problemas de conseguir sair de Cuba, algumas pessoas conseguem, outras são obrigadas a ficar por lá presas e numa situação horrível para sempre, ou pelo menos até o Governo decidir que talvez ela possa sair. Mostra como o preço da comida sobe cada vez mais e que algumas leis são simplesmente enganações sem sentido, como a lei que permite que cubanos tenham dois empregos. O que funciona? Nada. Dois salários simplesmente significou reduzir os salários e equivalerem a um antes dessa lei.

Enfim, não há arrependimento. Pelo menos não ao ler esse livro, é quase impossível de não gostar. Mesmo não mantendo uma história recorrente, no final todos os post estão de um jeito ou de outro, muito mais relacionados que qualquer romance com capítulos.
______

NOTA: Gostaria de me desculpar pela grande ausência no Blog, estamos tentando montar uma nova equipe para que possamos continuar o blog como antes. Informo com grande tristeza que Thiago Mattar, que cuidava não só de Música Brasileira, mas também praticamente tudo que gostasse sobre cultura, saiu da equipe. Estou agora em busca de alguém disposto a escrever sobre Música Brasileira, assim que encontrar, tenho certeza que o blog voltará com a mesma força de antes.

DVD – O Jovem Frankenstein


Por Thiago Mattar

As comédias de Mel Brooks são ácidas, cáusticas e possuem um refinamento crítico ímpar. Mas, ao mesmo tempo, trazem o charme pastelão das clássicas performances humorísticas de Peter Sellers, Jacques Tati, Chaplin e Buster Keaton. São inúmeras referências que Broks traz na bagagem. A mais interessante é a influencia dos clássicos filmes de terror, os primeiros filmes de mistério da Universal dirigidos por James Whale e datados do início dos anos 30. Em O Jovem Frankenstein (1974), a minha indicação de hoje, há claras citações das sequências mais emblemáticas de Frankenstein (1931) e A Noiva de Frankenstein (1935). O roteiro é recheado de sátiras aos maiores clichês do gênero e é cultuado como uma das sátiras mais bem sucedidas da história do cinema, tanto por sua fotografia esplendorosa em preto e branco, como pelas antológicas interpretações e a apurada direção de arte, que teve a felicidade de utilizar a maior parte das geringonças elétricas dos clássicos filmes da Universal, os mesmos aparelhos futuristas que antes foram fotografados pelas lentes de James Whale.

Convenhamos, um bom filme envolve sempre grandes personagens e um talentoso elenco para dar vida (“Give my creation... life!”). Nesse caso, Mel Brooks acertou em cheio na direção dos atores. Gene Wilder, um dos maiores talentos de seu tempo, um comediante aclamado pelo sarcasmo e ironia de seus personagens, recria um Dr. Frankenstein de temperamento alucinado e histérico capaz de arrancar gargalhadas dos espectadores a todo o instante em que aparece – quase sempre aos berros – na tela. Já o Monstro, portador de um cérebro anormal em busca de amor e que, ao decorrer da história, vai aprendendo a falar e se expressar como os outros, ganha a interpretação sensível de Peter Boyle. Mas o destaque mesmo é Marty Feldman na pele do ajudante de cientista louco, Igor. A interpretação de Feldman é exagerada, carregada de trejeitos e maneirismos que fazem referencia aos ajudantes criados por Bela Lugosi em O Filho de Frankenstein (1939) e o teatral Reinfeld interpretado pelo sempre coadjuvante Dwight Frye em Drácula (1931). A belíssima trilha sonora original fica a cargo do genial John Morris. O músico realizou uma vasta pesquisa para compor como um compositor de trilhas daquela época faria, usando os instrumentos certos para criar o ambiente misterioso e soturno do filme.

Não deixe de conferir esse marco do cinema satírico! O melhor é que você encontra esse DVD por um preço baixíssimo nas lojas de departamento. É só garimpar!


Os Monstros de Jonze


Por Guilherme Nasser

Baseado em um livro infantil, escrito em 1963 por Maurice Sendak e publicado no Brasil somente no ano passado, de 40 imagens e 9 frases, Onde Vivem Os Monstros, é uma análise um pouco mais densa sobre a maturidade das crianças.

Eu estava indo ao cinema e acabei pegando uma chuva como era de se esperar nessa época aqui em São Paulo, faltavam 10 minutos para o filme quando cheguei ensopado a bilheteria e logo depois fui me trocar no banheiro (a sorte era ter outra roupa na mochila) e entrei esperando me divertir. Na sala umas 10 pessoas, entre elas, 4 senhores espalhados pelo cinema sozinhos e prestando muita atenção nos trailers... Ah eu tinha comprado uma fanta laranja antes de entrar. Spike Jonze, diretor do grande filme Quero Ser John Malkovich, começava bem, a "opening scene" foi grandiosa. Pronto, já estava me divertindo...

O livro de Sendak, na época foi alvo de críticas ofensivas e chegou a ser tirado das livrarias em alguns lugares, pois é um livro anormal ao universo infantil, ele não tem uma "moral da história" e não chega perto de querer educar as crianças em bons modos cristãos. Enfim, o livro trata a maturidade de um jovem que é mandado para a cama sem jantar e cria uma floresta em seu quarto, onde lá é criado um mundo novo onde vivem monstros e ele é o rei. No filme, é claro, Jonze muda alguns aspectos da história e escreve um roteiro "quase original" vamos dizer assim, mas não tira a essência do livro. A verdade é que Jonze explicitou a rebeldia, a solidão, o mergulho na mente de uma criança altamente criativa que se sente ignorada. A neve no começo do filme ajuda a mostrar que nada ali é divertido, além do iglu que Max constrói para tentar se divertir, ao ser ignorado por sua irmã, ele tenta chamar a atenção dela e de seus amigos jogando bolas de neve e começando uma "guerra" e é repreendido pelos meninos mais velhos que destroem seu iglu. Depois disso Max sente ciúmes da Mãe e seu novo amigo, e tentando chamar atenção mais uma vez é repreendido mais uma vez, e então foge de casa. E o que mais tem no filme é Max correndo e a câmera na mão o acompanha (aliás a câmera na mão é um dos pontos técnicos mais altos do filme). É então que Max foge pelo mar com seu barco, enfrenta grandes tempestades e chega a uma aldeia no alto de uma montanha que escala. Lá é onde vivem os monstros e logo Max se torna rei daquele lugar. É claro que existem alguns simbolismos que não passam despercebidos, e o mais importante é a personalidade de cada criatura que nada mais são do que manifestações da personalidade do garoto. Carol é naturalmente com quem Max mais se identifica, pois ele é o egocêntrico da turma, o comandante, o chefe até agora, e que quando é desconfiado pelos outros se mostra frágil e orgulhoso.

Um conto de fadas anormal, estranho, e muito bem executado pela equipe de Jonze, o fotógrafo Lance Acord, o mesmo de Being John Malkovich, dá a esse mundo fantástico uma naturalidade e deixa tudo que vemos, poético, como deve ser.

Na música, Karen O, ex namorada de Jonze, e vocalista do Yeah Yeah Yeahs, deixa o filme mais emocionante ao emplacar as canções com crianças cantando junto, nos momentos de mais ação e liberdade das cenas. A escolha do ator foi um processo que Jonze demorou para terminar, e no finalzinho acabou achando essa raridade, Max Records, é um ator brilhante, seguro, soube criar uma relação insubstituível com a história e com os atores. Max Records é comparado, por seu estilo de atuação frente às câmeras a Sean Penn, mas aí é outra história. Ótimo ator e certo para o papel.

Onde Vivem os Monstros é absolutamente recomendado, e para todo mundo, pois como diz o trailer: "dentro de nós está tudo que você já viu, tudo que você já fez, todos que você já amou. Há um dentro de todos nós".

O filme, como o livro, é composto por metáforas da maturidade infantil e de como ela se desenvolve enfrentando problemas constantes. Os monstros são os sentimentos de Max, e ele ao tentar dominá-los, virando rei, acaba saindo derrotado, e é quando ele percebe que não existe mais ali, lugar para ele.

Terminou o filme e meu cabelo estava seco. E ao olhar pra trás, vi um senhor que sentado sozinho, enxugava as lágrimas.