Que o Brasil é um país de cantoras todo mundo sabe. O que nem todo mundo sabe é que elas estão cada vez menos originais e talentosas. Parece que o mercado fonográfico brasileiro não se cansa de investir em padrões repetitivos quando se trata de jovens-bonitas-sexys-sussurantes intérpretes tupiniquins. De vez em quando aparece alguém diferente, ou alguém muito esquisita. É o caso da Silvia Machete.
Essa carioca faceira que estudou na Sorbonne conseguiu fazer um estardalhaço com seu disco independente de estréia, Bomb Of Love. O disco é recheado de pérolas instantâneas, tanto de sua própria autoria (ponto fraco da maioria de suas colegas contemporâneas) como de suas regravações.Silvia também é artista performática e estudou numa escola de circo. Dessas experiências pessoais suas composições emprestam leveza, equilíbrio e inteligência. Outro detalhe importante que pesa sobre a maestria do trabalho de Silvia é a qualidade e desenvoltura presente em suas apresentações, elas são vibrantes, cheias de truques vocais e visuais.
O primor da qualidade das gravações desse disco é também mérito de seus parceiros e amigos cariocas. Os músicos que a acompanham são: Rubinho Jacobina (piano), Nelson Jacobina (guitarra), Domenico Lancellotti (bateria), Stephane San Juan (percussão), Rodrigo Bartolo (baixo) e Thiago Charbomez (trompete).
Eu recomendo ouvi-la de olhos abertos, bem abertos. Não estou recomendando que você compre o DVD, é só uma metáfora mesmo. Mas, se optar por comprar, não vai se arrepender. O trabalho dela é cosmopolita, uma mescla da batida negra da baixada fluminense com as cores nervosas das ruas de Nova York. Se você ainda não ouviu falar dela, conheça um pouco aqui:
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