domingo, 21 de março de 2010

Música Internacional - O fado de Mísia

Por Thiago Mattar

O fado é tradicionalmente a trilha sonora de Lisboa. Nascido entre os bairros da capital portuguesa em meados do século XIX, o ritmo é fruto da mistura atípica entre a música africana, sul-americana e espanhola com a tradição seresteira e trovadorística portuguesa. Na voz de Amália Rodrigues o fado pôde se transformar em produto de exportação e formou, durante todo o século XX, fãs ao redor do mundo.

Agora, alguns bons anos depois, talvez o suficiente para o fado perder sua força, aparecem novos fadistas, novos violonistas do estilo e novas vozes arrebatadoras. Dentre os nomes de destaque, a que possui o trabalho mais interessante e inovador é a intérprete portuguesa (radicada em Barcelona) Mísia. O trabalho de Mísia nos remete ao que há de mais tradicional no fado português. Os arranjos são extremamente caretas, mas são composições que soam modernas por conta das fusões com o tango e das letras muito bem escolhidas de grandes poetas portugueses e de escritores pop contemporâneos como José Saramago.

A interpretação da pálida cantora parece ter o poder de reunir o novo e o velho da canção portuguesa em um único trabalho. De toda a discografia de Mísia, um disco que merece destaque é Garras dos Sentidos, o quarto disco de sua carreira meteórica, lançado em 1998. Pelo ambiente das belíssimas composições desfilam os nomes de Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Mário Cláudio, Lídia Jorge, Agustina Bessa-Luís, António Botto e José Saramago.

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