domingo, 21 de março de 2010

De dentro para fora/ De fora para dentro - MASP Urbano


Por Juliana Monteiro

Confesso que a principio fui ao MASP para poder escrever sobre a exposição do Chagall, mas quando cheguei lá e não vi nada de mais que me desse vontade de escrever a favor e incentivá-los a visitar, desisti. Foi pela minha surpresa e falta de informação que acabei caindo no subsolo do MASP e encontrei um dos ambientes mais legais que vi em exposições.

Não é de hoje que sou apaixonada por grafite, mas a cada dia essa paixão se torna em um amor delicioso, a exposição que se encontra no MASP desde novembro do ano passado, termina agora esse dia cinco de fevereiro, mas ainda dá tempo de dar uma olhada e se deliciar com a "De dentro para fora/ De fora para dentro". Os curadores Mariana Martins, Baixo Ribeiro e Eduardo Saretta conseguiram trazer o ambiente urbano para dentro do MASP e com a ajuda dos artistas fizeram um espaço vazio em algo totalmente revolucionário.

Na Galeria Clemente de Faria foram colocadas várias paredes falsas para aquele movimento artístico, até o chão foi utilizado por um dos artistas. Ramon Martins foi um dos que usaram o chão para grafitar, a imagem começa numa parede falsa e parece que vai derretendo até formar imagens pelo chão da galeria. Titi Freak, um dos grafiteiros de São Paulo, foi o que mais me surpreendeu, fazendo o espaço dele se tornar uma explosão de imagens lotadas de cor e desenhos variados, dentro da parede falsa criada para ele, você pode ver pequenos desenhos contando cada um a sua história.

Stephan Doikschinoff, assim como o nome complicado, também fez um espaço complicado. Detalhista e perfeccionista, transformou uma parede em um conto popular, usando vários materiais para suas obras, até livros antigos onde estampou seus desenhos pelas páginas. Quando você entra em sua sala, se sente numa igreja, só uma pessoa consegue entrar por vez para poder reparar nos detalhes do ambiente, com os livros deitados pelo chão, seguindo o caminho para o altar artístico e bandeirinhas como se fossem de festa junina presas no teto.

Acho que um dos mais conhecidos pelos trabalhos urbanos que faz pode ser o Zezão, quem nunca viu seus grafites pelos tuneis de São Paulo é porque nunca abriu os olhos quando passava por eles. Na galeria Zezão fez mais do que sua marca registrada, fez uma montagem enorme numa parede, com pedaços de madeira e colagens, usando todos os tipos possíveis de materiais.

Dentro da exposição ainda dá para ver Carlos Dias, com seus desenhos estranhos e cheios de cor e colagens pelas paredes, além de Daniel Merlim que fez em paredes falsas seus stencils mostrando com mais força a ideia de ambiente urbano na exposição.

Para finalizar, quem quiser ainda conferir a exposição, tem uma sala explicando o trabalho de cada artista e um documentário de como foi realizada a exposição, como os artistas trabalharam para sua construção e você também pode escrever, desenhar ou fazer o que bem entender nas paredes dessa sala com giz daqueles de lousa.

Lembrando que a exposição vai até o dia 5, ainda dá tempo de dar uma olhada!


Foto: Gal Oppido

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