domingo, 21 de março de 2010

ESPECIAL GUS VAN SANT #3 - PARANOID PARK


Por Guilherme Nasser

Para encerrar o especial e deixando de lado a "death trilogy" de Gus Van Sant, vamos falar sobre seu filme de 2007, Paranoid Park (vencedor de Cannes)

Paranoid Park é um filme baseado no livro homônimo de Blake Nelson, e conta a história de um jovem adolescente skatista que acidentalmente mata um segurança.

É o longa que Gus Van Sant mais trata da alienação jovem e as sensações que imperam na cabeça dos adolescentes. É um filme minimalista de baixo orçamento e claro não atores.

Paranoid Park é o nome dado a pista de skate onde os que lá estão, estão para esquecer por algum momento os problemas que cercam sua vida, e com o jovem Alex é a mesma coisa incluindo a vontade de perder o medo de um local considerado ameaçador por ele.

A narrativa mescla o passado e o presente e a construção não é comum como em filmes de assassinato que nos preocupamos em saber como solucionado foi o crime, ou como ele procedeu a partir do momento em que ele foi descoberto. O enfoque é nas atribuições em que a mente alienada e desconectada com o presente são mostradas através das cenas em que não apenas observamos as ações dos personagens, e quase não ouvimos relatos ou demonstrações de sentimentos por palavras. Paranoid Park é assim, um local onde existe ação, sentimento, nostalgia, tempos, e nenhuma relação entre os lá presentes. As cenas, acredito eu, que sejam em super 8, em que são mostradas as performances dos skatistas na pista, é o mais realista possível, como um vídeo que podemos encontrar na espn ou algo assim. Talvez essa interação entre o comum e a ficção nos deixe a impressão de que estamos todos vulneráveis a certas consequências que pagamos por enfrentar nossos medos.
Alex não mantém uma relação com as pessoas à sua volta, claramente vemos ele sozinho lutando contra suas deficiências morais, e seus conflitos internos. A única relação que ele mantém estável é com a carta onde ele conta o ocorrido, mas que não sabemos pra quem será mandada, ou se alguém um dia lerá aquilo, e o não interessa também.

Gus Van Sant usa com genialidade a música, as sequências longas, é claro, os enquadramentos - ponto novamente para o fotógrafo Christopher Doyle - e o mais bonito de todos em PP, a câmera lenta. A melhor cena do filme e a que mais nos deixa agoniados com aquele sofrimento injusto é a do banho. A câmera lenta mostra Alex claramente sozinho contra a agonia interna de ter cometido um assassinato.

Paranoid Park está na minha lista dos melhores do século 21, com certeza, é o filme mais doce, mais triste, não propriamente como a palavra oferece seu significado, pois bem. Genial e nos mostra quão vulnerável somos, e como alguns detalhes nos prendem ao nosso maior inimigo, nós mesmos.

Aqui, eu encerro o especial sobre esse fantástico diretor. Espero que se você gostou dos textos, assista às obras maravilhosas de Gus Van Sant, e prepare-se para conhecer o cinema mais realista de nossos tempos. Bom filme.

Nenhum comentário:

Postar um comentário