quinta-feira, 18 de março de 2010

DVD - Hannah e Suas Irmãs, de Woody Allen


Por Thiago Mattar

O Centro Cultural Banco do Brasil abriu esse mês uma mostra mais que imperdível dos filmes de Woody Allen, aproveitando o ensejo escolhi esse DVD de Hannah e Suas Irmãs para a indicação dessa semana. Esse filme marca bem o período de auge da carreira do diretor. Allen surgiu com essa obra prima em 1986, após ter sido aclamado por Zelig e A Rosa Púrpura do Cairo.

Neste clássico, o judeu mais excêntrico de todos conseguiu reunir um dos elencos femininos mais brilhantes do cinema, um destaque especial para as atuações de Mia Farrow (sempre genial) e Dianne Wiest (surpreendente). Uma parcela da crítica insiste em dizer que o diretor faz o mesmo filme há quase trinta anos e que para ele o cinema é uma terapia freudiana infindável. Bom, em partes isso é verdade. Mas é sempre bom ver o que ele está fazendo de novo ou de velho, sempre.

Allen tem, ultimamente, se metido em grandes enrascadas, sua fase européia tem rendido ótimos e péssimos filmes. Dessa última safra, os que agradam mais aos fãs tradicionais são: o elegante/operístico “Match Point” e o AlmodovarianoVicky Cristina Barcelona”. Woody diverte com seu olhar outsider, mas exagera tanto em seu vislumbramento pela Europa que acaba caindo nos clichês, mas em um aspecto todos os críticos da filmografia de Woody Allen acabam concordando: ninguém fotografa as cores e os cantos de Nova Iorque com tanta sensibilidade e talento quanto ele. Talvez por isso mesmo ele devesse voltar para sua cidade/musa.

Hannah é um filme que tem tudo para quem quer conhecer o estilo nova-iorquino do diretor. Tem o drama, o neurótico-hipocondríaco, os diálogos divertidos e os monólogos filosóficos. A fórmula perfeita de Allen, uma dose cavalar de humor ácido misturada a gotas homeopáticas de melancolia e tragédia. Uma boa pedida para essas tardes embaladas por chuva de verão.

(Na foto, da esquerda para a direita: Mia Farrow, Barbara Hershey e Dianne Wiest)


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