quinta-feira, 18 de março de 2010

Música Popular Brasileira - Assis Valente

Por Thiago Mattar

Se tivesse que eleger o mais divertido compositor brasileiro da história, eu escolheria sem titubear o Assis Valente. Suas composições soam estranhamente atuais mesmo tendo sido compostas há mais de sessenta anos.

Apesar de ter tido uma vida amargurada e triste na tentativa de esconder seu homossexualismo durante os repressivos anos 30, 40 e 50, ter tentado o suicídio por três vezes (a mais bizarra delas foi ter se atirado do Corcovado e sobrevivido), Valente acabou ficando conhecido por seus sambas leves, debochados e divertidos que refletiam o que havia de mais charmoso na boemia carioca daquele período, mas, ao mesmo tempo, havia um caráter atemporal em suas canções, algo que se afirmaria com mais solidez através das décadas. Seus maiores sucessos foram regravados por expoentes de três gerações e, graças a esses artistas, o sambista é mais facilmente reconhecido pelos ouvidos modernos que o próprio Ary Barroso.

O compositor de "Brasil Pandeiro", "Camisa Listrada", "E o Mundo Não se Acabou", "Recenseamento", "Boas Festas" e "Cai, Cai, Balão" (essas últimas duas já estão tão enraizadas na cultura popular que podem ser consideradas canções folclóricas) foi, antes de ser sambista, ilustrador talentoso e protético respeitado, tido como o melhor de seu tempo. Valente entrou no samba e mergulhou na noite carioca, gastava grandes somas de dinheiro com amantes e bebida. Mesmo assim, conseguia levar uma vida forçosamente discreta com sua mulher e filhos, mas sofria por não poder ter a vida que queria, ou seja, viver com seus amantes.

Carmen Miranda foi sua maior intérprete e madrinha no meio musical, mas também foi seu grande tormento. A chiquita bacana não aceitou gravar Brasil Pandeiro por achar a música muito fraca, por exemplo. Erro fatal. A canção que iniciava com: “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” estourou e se tornou uma canção-hino através da clássica gravação de 1972 pelos Novos Baianos.

Apesar de tudo, Assis teve uma vida boa e lucrativa antes de finalmente cometer suicídio em 1958. Seu período de glória foram os bêbados anos da era de ouro do rádio, mas sua obra continuará surpreendendo e rendendo homenagens por várias gerações.

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