
Por Camila Bichuetti
A atmosfera da década de 70 é reproduzida perfeitamente nas roupas, na música, no cotidiano. E é nesse cenário que acontece a trama. Cinco garotas muito bonitas, filhas do casal Lisbon, religiosos e conservadores, vivem sua adolescência submetidas a padrões de comportamento e sem muito espaço para entender a sexualidade que começa a florescer. O drama é uma adaptação do livro homônimo de Jeffrey Eugenides, 1993.
O filme é narrado por um jovem que conheceu as meninas, alguns anos depois como uma reconstituição do que aconteceu. “Nunca conseguimos entender a sequência dos eventos. Até hoje não entendemos bem o que aconteceu.”
Por esse motivo, ao fim do filme ficamos com a dúvida se foi realmente assim que aconteceu ou é apenas a visão de um garoto tomado por sua própria reflexão dos fatos.
A caçula das irmãs, Cecília, vive uma garota deprimida de 13 anos.
Psiquiatra: “O que você está fazendo aqui, minha querida? Ainda nem tem idade para reconhecer o mal que a vida pode lhe causar...”
Cecília: “Obviamente, doutor, você nunca foi uma garota de 13 anos.”
Sem se sentir compreendida Cecília suicida-se e a partir daí os fatos se desenrolam. A família enfrenta muitas dificuldades para se recuperar do trauma. A apatia das irmãs ia além da tristeza e do luto. O suicídio da jovem traz um enorme impacto para parentes e amigos.
Uma das irmãs que chama atenção é Lux, interpretada pela brilhante Kirsten Dunst. A atriz incorpora uma adolescente ousada que acaba se envolvendo com Trip Fontaine, o garoto mais popular e cobiçado do colégio. Lux, virgem, se entrega sexualmente a ele no campo de futebol, após uma festa de fim de ano do colégio, mas acaba acordando sozinha.
Os pais de Lux acabam repreendendo a garota por chegar em casa de manhã, sem ter dado explicações. A mãe das garotas, a Sra. Lisbon, resolve punir-las, aprisionando-as em casa e tirando-as da escola. As belas jovens estavam morrendo aos poucos. O seu pai, o Sr. Lisbon, não toma atitudes em relação a isso, ficando cada vez mais alheio ao que acontece na casa. As garotas ficam confusas e anestesiadas. O tédio e apatia que as domina são apenas alguns indícios do que estava por vir. O fim do filme é surpreendente deixando-nos com aquela sensação de perplexidade.
O elenco conta com ótimos atores como Kathleen Turner e James Woods vivendo os pais superprotetores. O belo e charmoso Josh Hartnett como o garanhão da escola, Trip Fontaine. Porém, mesmo com grandes atuações, não se pode negar que o papel de maior destaque é da atriz Kirsten Dust. Mais do que nunca ela se revela uma camaleoa quando o assunto é interpretar diferentes personalidades. Alguns outros filmes que a atriz se destacou foram: Entrevista com o Vampiro (1994), Homem-Aranha (2002), O sorriso de Mona Lisa (2003), Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), Maria Antonieta (2006).
Nesse cenário e com todo efeito da trilha sonora de Air cria-se o clima melancólico do que pode ser a depressão na juventude.
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