
Tom Zé nasceu numa pequena cidade do interior da Bahia (Irará), veio a São Paulo convencido por Caetano Veloso a apresentar suas composições nos festivais de música do final da década de 1960. Após o estrondoso sucesso de uma de suas canções mais conhecidas – São, São Paulo, Meu Amor -, que venceu o IV Festival da Record de MPB em 1968, o músico baiano permaneceu esquecido durante muito tempo na cena artística e nas prateleiras empoeiradas das lojas de discos, isso perdurou até que um músico americano chamado David Byrne (ex-integrante da banda Talking Heads) descobriu um disco de Tom Zé intitulado Estudando o Samba, ele comprou esse disco por acaso em uma de suas inúmeras visitas ao Brasil.
Byrne estava procurando por discos de música brasileira e de samba especificamente. Quando avistou a palavra “samba” escrita com letras garrafais na capa do disco, nem hesitou e comprou para ouvir em casa com calma, juntamente com outros discos que havia colocado na sacola. Byrne não esperava encontrar naquele maltratado LP tamanha criatividade e inovação em experiências sonoras. O gringo se surpreendeu com a genialidade desse músico desconhecido, ligou para seu amigo e também músico Arto Lindsay e perguntou: Quem é esse Tão Zii? E ficou mais surpreso ao saber de Lindsay que esse artista de obra riquíssima estava passando por sérias dificuldades em sua carreira, dificuldades que iam desde falta de reconhecimento a dificuldades financeiras reais.
Há um relato interessante no documentário Fabricando Tom Zé, de Decio Matos Jr., de que teria havido influência do próprio grupo baiano encabeçado por Gil e Caetano na exclusão de Tom Zé do cenário tropicalista, os antigos colegas estariam desmerecendo e deixando de lado o trabalho de Tom por acharem que o que ele fazia destoava das idéias centrais do tropicalismo, que era algo além daquilo que eles estavam pensando sobre o conceito de tropicália, por isso, Tom Zé era visto como um complicador naquele cenário da música popular (até pelo trabalho de Tom não ter um grande apelo popular como o dos outros baianos).
Mas, posteriormente, aquele músico com cara e postura de cangaceiro conseguiu conquistar os Estados Unidos e a Europa com seus discos relançados lá por David Byrne. O reconhecimento veio através de convites para tocar nos festivais mais importantes do exterior, como o de Montreux, na Suíça. Pouco a pouco, a obra de Tom Zé vem sendo resgatada pelo próprio público brasileiro, os jovens cada vez mais cedo conhecem esse curioso baixinho de Irará com a ajuda dos programas de TV ou baixando seus discos pela internet. Aliás, uma de suas investidas mais recentes foi o álbum virtual, um conceito novo lançado pela gravadora Trama na tentativa de driblar a pirataria e os programas de compartilhamento de músicas via web. O álbum virtual de Tom Zé podia ser baixado gratuitamente por qualquer um que acessasse o site, os músicos e os custos de produção eram pagos por um patrocinador que teria seu nome divulgado na página do disco, que, neste caso, foi a empresa VR Smart.
Sempre envolvido com novos projetos, Tom Zé continua a fazer o trabalho que o consagrou pela crítica mundial, o de inventar novos instrumentos. O baiano que estudou música erudita na Universidade da Bahia com vanguardistas como o maestro Koellreuter, Walter Smetak e Ernst Widmer, rompeu com alguns preceitos tradicionais numa tentativa de retomar as experimentações feitas por John Cage a respeito da música atonal. A pesquisa realizada até hoje por Tom Zé consiste em experimentar objetos tirados de seu contexto e colocados como objetos sonoros (dada e futurismo), tirando do ruído a sua musicalidade, buscando harmonia nas interferências sonoras e nos sons das máquinas modernas.
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