
Para estrear minhas postagens em 2010, começarei com um especial sobre Gus Van Sant. Serão três filmes, um por semana. Fique agora com Last Days, e desligue seu celular, por favor.
Por Guilherme Nasser
Por Guilherme Nasser
Foram 8 takes até valer o dolly out em que a câmera abre e mostra Blake ou Kurt pirando na salinha. O trilho não podia aparecer, a equipe sofria enquanto Gus deitado na grama olhava atentamente e com um sorriso cordial, não dizia uma palavra. Blake enquanto isso, com instrumentos em loop, me fazia não acreditar no quanto aquele plano longuíssimo era incrível.
Last Days é um filme monótono, parado, sonolento e que a cada cena eu arregalava os olhos sentava na borda da poltrona e falava "Nossa, que fudido, puta que pariu..."
É o melhor filme do Gus Van Sant, e um dos melhores que eu já vi. O filme que declaradamente é inspirado em Kurt Cobain, me colocou em uma atmosfera densa, cheia de tensão, e o melhor de tudo, essa atmosfera causada por retratos do cotidiano. Tudo de mais comum, em um garoto que se isola e tenta parar com as drogas, convive com amigos, mas vive sozinho. Em um estado de transe completo, nós acompanhamos Michael Pitt, se vestir com roupas femininas e caminnhar com uma espingarda sem motivo algum. Em sua melhor interpretação, Michael trabalhou por alguns anos esse projeto com Gus, e sugeriu algumas improvisações no roteiro. Roteiro esse, que foi sendo criado enquanto foi sendo sentido. O homem da lista telefônica virou ator por acaso, sua profissão real é "Yellowpages salesman" e foi aí que Gus teve a idéia de o chamar para representar a si mesmo no filme. Inclusive na cena em que ele atua, o diálogo foi totalmente improvisado na hora. Os atores resolviam mudar suas falas e sugeriam a Gus, substituir por histórias que realmente aconteceram com eles. Tendo em vista uma construção realista ao máximo, isso foi importantíssimo para o roteiro. Outra coisa, a maioria dos atores, se chama no filme como se chama na vida real.
É o melhor filme do Gus Van Sant, e um dos melhores que eu já vi. O filme que declaradamente é inspirado em Kurt Cobain, me colocou em uma atmosfera densa, cheia de tensão, e o melhor de tudo, essa atmosfera causada por retratos do cotidiano. Tudo de mais comum, em um garoto que se isola e tenta parar com as drogas, convive com amigos, mas vive sozinho. Em um estado de transe completo, nós acompanhamos Michael Pitt, se vestir com roupas femininas e caminnhar com uma espingarda sem motivo algum. Em sua melhor interpretação, Michael trabalhou por alguns anos esse projeto com Gus, e sugeriu algumas improvisações no roteiro. Roteiro esse, que foi sendo criado enquanto foi sendo sentido. O homem da lista telefônica virou ator por acaso, sua profissão real é "Yellowpages salesman" e foi aí que Gus teve a idéia de o chamar para representar a si mesmo no filme. Inclusive na cena em que ele atua, o diálogo foi totalmente improvisado na hora. Os atores resolviam mudar suas falas e sugeriam a Gus, substituir por histórias que realmente aconteceram com eles. Tendo em vista uma construção realista ao máximo, isso foi importantíssimo para o roteiro. Outra coisa, a maioria dos atores, se chama no filme como se chama na vida real.
Gus encerrou sua chamada "Death Trilogy" com Last Days, os filmes que aí entram são: Gerry, Elephant e Last Days.
Por falar em morte, depois que morre Blake, a cena que de tão tosca fica impressionante é o espírito saindo do corpo e descendo a escada. É a cena de humor do filme, é o momento em que você sorri de canto, e pensa consigo como é genial aquilo tudo.
Harry Savides, diretor de fotografia do filme afirma, que tem certa autoridade sobre Gus para mudar a decupagem na hora, caso sinta necessidade. Ele gosta de trabalhar com Van Sant pois não há manipulação de imagem, em Last days, por exemplo fica claro isso. Nos deparamos com sequências longas, planos parados, olhamos para onde quisemos, sentimos o que quisemos, entendemos, interpretamos, vivenciamos o que for que seja. As músicas melancólicas não entram em momentos tristes e as alegres em momentos felizes. Não há de maneira nenhuma essa manipulação, com certeza isso torna os fimes de Gus Van Sant realistas, e mais ainda, extremamente orgânicos.
No som, a trilha que não é Nirvana, graças a deus, Blake canta, antes de sua morte, "Death to Birth" música da banda Pagoda, de Michael Pitt. Essa cena é impressionante, pois por 5 minutos o plano fica estático enquanto Blake melancólicamente, alienadamente toca seu violão e o público.
E novamente em Last Days é explorado pela câmera o ponto de vista. Revemos as cenas de diferentes ângulos e diferentes referencias, o que causa no filme essa redundância de emoções. Sentimos do começo ao fim a mesma sensação passeando pelo estômago. A experiência estética de Van Sant + Savides é única.
Na oitava tomada, o trilho não apareceu. Finalmente Gus forçou a voz, lá de longe, e gritou: -Corta!
Por falar em morte, depois que morre Blake, a cena que de tão tosca fica impressionante é o espírito saindo do corpo e descendo a escada. É a cena de humor do filme, é o momento em que você sorri de canto, e pensa consigo como é genial aquilo tudo.
Harry Savides, diretor de fotografia do filme afirma, que tem certa autoridade sobre Gus para mudar a decupagem na hora, caso sinta necessidade. Ele gosta de trabalhar com Van Sant pois não há manipulação de imagem, em Last days, por exemplo fica claro isso. Nos deparamos com sequências longas, planos parados, olhamos para onde quisemos, sentimos o que quisemos, entendemos, interpretamos, vivenciamos o que for que seja. As músicas melancólicas não entram em momentos tristes e as alegres em momentos felizes. Não há de maneira nenhuma essa manipulação, com certeza isso torna os fimes de Gus Van Sant realistas, e mais ainda, extremamente orgânicos.
No som, a trilha que não é Nirvana, graças a deus, Blake canta, antes de sua morte, "Death to Birth" música da banda Pagoda, de Michael Pitt. Essa cena é impressionante, pois por 5 minutos o plano fica estático enquanto Blake melancólicamente, alienadamente toca seu violão e o público.
E novamente em Last Days é explorado pela câmera o ponto de vista. Revemos as cenas de diferentes ângulos e diferentes referencias, o que causa no filme essa redundância de emoções. Sentimos do começo ao fim a mesma sensação passeando pelo estômago. A experiência estética de Van Sant + Savides é única.
Na oitava tomada, o trilho não apareceu. Finalmente Gus forçou a voz, lá de longe, e gritou: -Corta!
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